domingo, 1 de maio de 2016

sábado, 30 de abril de 2016

DEUS E O SENTIDO DA VIDA

(Saiba mais clicando AQUI)


RAFAEL LLANO CIFUENTES | 412 PÁGINAS | ESPIRITUALIDADE | BROCHURA. 

O homem moderno frequentemente se depara com um sentimento de angústia, ansiedade, desamparo, vazio: "São existências meramente vegetativas, que se deixam levar pelas flutuações à sua volta, que não detêm o timão do próprio percurso" (prefácio de Tarcísio Padilha).

Em Deus e o sentido da vida, Dom Rafael Llano Cifuentes tece algumas reflexões acerca daquilo que todo ser humano, movido pelas suas inquietações, um dia já se perguntou: o sentido da vida.

As páginas deste livro vêm ao encontro dessa busca, também através de exemplos de vida: "Deixaremos falar, enfim, vozes muito diferentes pela sua nacionalidade, época e circunstâncias geográficas e culturais. E nos alegraremos ao compreender que as suas opiniões, perplexidades e afãs, alegrias e penas, são também as nossas".

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O vício é vil

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A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


O vício é vil

Assim como Baltasar empregava em suas orgias os vasos sagrados do Templo, assim o moço impudico profana seu corpo, que um dos antigos documentos da literatura eclesiástica, a Epístola do pseudo-Barnabé (ano 96-121), chamava “o vaso gracioso da alma”; esse coração que, pela sagrada comunhão, se tornou um cibório vivo de Deus.
A lei eclesiástica exige que o cálix do sacrifício seja dourado. Com maior razão o cálix do teu coração não deve ser desdourado pelo vício.
Grande indignação sentíeis ao saber que, por vezes, durante a guerra, os alemães haviam profanado os nossos sacrários.
Mais grave seria, ó comungante, o manchar-vos a vós mesmos.
O jovem que se rebaixa a cometer o pecado solitário, procura debalde excusar e disfarçar, com pretextos, estes desregramentos nefandos.
Não é bonito!
Não é digno.
“Examinarei a torpeza e a malícia intrínseca do pecado mortal, supondo mesmo que ele não fosse proibido”. (Sto. Inácio).
Santo Agostinho, em suas Confissões, reconhece que nunca, no tempo dos seus desvarios, chegara a iludir-se acerca da sua vergonha moral. “Colocava-me ante os meus próprios olhos para ver como era sórdido, manchado e ulcerado”.
“Constituebam me ante faciem meam, ut viderem quam turpis essem et quam distortus, sordidus et ulcerosus”.
A nossa alma não foi criada para empestar-se com o ar fétido das sentinas mas para, castamente, respirar o ar puro das geleiras.
“O eu divino anseia por sair desta lama”. (Maine de Biran).
A impureza é “a que mais agita os instintos baixos do homem-animal”. (P. Bourget).
É este o termo! Trata-se de uma queda de animal.
Numa triste noite, deu-se a obscenidade seguida de um morno torpor e de um estupor brutal.
É poético isto?
Eminência ou baixeza?
Este desaire não é coisa tanto psicológica, é mais fisiológica.
Insânia!…

* * *
Se, porém, se não trata do mal cometido, a sós, mas de relações culpáveis, o caso é ainda mais grave, porquanto a torpeza é dupla.
Amores ilícitos!
Amores de lama!
Debalde procuram os romancistas e os poetas passá-los por um bom filtro; sempre ficarão amores lodosos, bastando agitá-los um pouco para que as borras, sempre mal depositadas, subam a superfície.
Quando se é jovem, muito jovem, cândido e muito cândido, não se cai na conta do que sejam estas misérias.
Leram-se talvez cenas fantasiadas pela poesia e fica-se imaginando não sei quê!
Sonhos dourados! emoções de confidências que fazem corar, beijos nas faces, em noites de luar, um passeio sentimental, à tardinha, áreas de guitarras como as de Cirano, à noite sob as varandas de Roxanes, algumas conjugações novas (de há vinte séculos!) do verbo amar. Alguns versos para cantar os lábios semelhantes a dois arcos purpúreos e dentes como os de pérolas.
Tudo isto, como vedes, são coisas que se parecem com sentimentos liliáceos, brotando numa alma azul.
Mas, admitida embora a hipótese de que se realizasse este inocente começo, o vício, por natureza, não continuaria, por muito tempo, com tais idílios.
O amor ilícito (só dele aqui falamos) não é esta bela literatura.
É, pelo contrário, o que há de mais grosseiro.
Por que vêm a cair tantas infelizes?
Talvez por teus belos olhos?
És ainda muito simplório, meu lourinho!
Na mor parte dos casos, o móvel verdadeiro, é só o dinheiro!
Completamente prosaico!
“Amor… e cheque!” É nobre, pois não é?
O coração… e venha o embolso.
Amor à vista… e a dinheiro.
É o “de contado” comercial, do que negocia ou (não te iludas) de outro qualquer que desejasse saldar contas.
Mas, haja ou não haja retribuição, o amor proibido será sempre culpa e baixeza.
No caso de tu seres o autor da sedução de uma moça, por ela ser pobre, e prometendo o dinheiro de que ela tem necessidade, como se há de então qualificar esta infâmia de um homem, que abusa da miserável situação de uma infeliz, e lhe compra a honra, para depois lhe atirar com vinte francos, em troca de sua virtude?
“Aquele que corrompe uma mulher.
Não colhe senão úlceras e ignomínias.
E seu opróbrio não se apagará jamais”. (Prov. 6-32).
A libertinagem será sempre uma aventura baixa e degradante.
E sedutora… mas só encarada de longe.
De perto, é horrível!… de perto!…
Mas façamos, muito praticamente, o balanço das consequências desses amores de ocasião: dívidas, porquanto “um vício, no dizer de Franklin, sai mais caro do que o sustento de dois filhos”, certas cenas em família, ciúmes ferozes, o terror dos escândalos, as fraudes, a obstinação importuna das infelizes que não querem largar-vos e se tornam, segundo a expressão de estudantes, “umas carraças”, as vinganças de mulheres abandonadas, fazendo revelações e aduzindo fatos a comprová-los.
Imprudente jogador! eis a quanto te arriscas com esta cartada do amor, que te parecia tão tentadora!
Oh! se a juventude soubesse!…
E depois os dramas e tragédias!… Quantos vitríolos, que de peitos rasgados e de corações traspassados por lâminas de punhais! Por quê?
A mulher “cherchez la femme”.
Pois bem, idílio branco ou drama rubro?
Demos a palavra ao magistrado Luiz Proal:
“Enquanto, por um lado, os romancistas e poetas celebram as virtudes e as belezas do amor, os magistrados, por seu lado, lhe esvurmam as vergonhas, os desesperos, os crimes. Não há paixão que, como esta, desse ocasião a maior número de desesperados, de loucos e de assassinos. Não há paixão que, como esta, conduza tantos infelizes, tantos culpados ao necrotério, ao manicômio e aos tribunais”.
E para confirmação desta tese, apresenta quase 700 páginas de fatos e de estatísticas (Crimes e suicídios passionais).
O mau procedimento de um indivíduo atua sempre sobre a coletividade, de que ele faz parte, em razão da íntima solidariedade humana.
O vício é antissocial.
“As nações são fortes em proporção da sua castidade”. (Saint Methode).
A decadência ou o progresso das nações, estão relacionados com a decadência ou progresso da virtude da castidade.

* * *
Enumerai, se vos é possível, as vezes que na história de amores levianos, a jovem foi afinal atirada ao abandono.
Tomada por capricho!
Abandonada por capricho!
Assim é que P. Bourget, no L’Etape, narra como Rumesnil abandonou a Julia Monneron.
Mas porque a tinha então amado? “Um pouco por fantasia, um pouco por passatempo, um pouco por perversão, um pouco por amor próprio e muito por leviandade”.
Também por grande leviandade é que Lescuyer, o herói do Coupable de Francisco Coppée, se apaixonou por Perrinette que, em seguida, votou-a ao abandono.
“Ah! nem sempre é muito belo o coração humano!… Não existia ajuste algum dele com Perrinette. Houve simplesmente mútua simpatia mas com a certeza de, a qualquer hora, se abandonarem. Bom dia, boa tarde!
Vós, senhor estudante, todo janota, o que faríeis de Perrinette, depois de defender a vossa tese?
— “Escreveu uma cartita e o: “recebe um abraço” seco, escrito num papel envolvido por algumas notas de banco; era pior do que uma bofetada”.
Ainda mais cruel é a carta em que Rodolpho dava o adeus a Emma Bovary; e muitas moças, demasiado crédulas, poderão ver parecenças com o seu caso, na cruel ironia daquela carta. “Não culpeis senão a fatalidade…” Eis uma frase que é sempre de muito efeito, dizia ele consigo mesmo. Adeus! E dava um último adeus mas separado-o em duas palavras: A — Deus! o que julgava um verdadeiro achado. Coitadinha da menina, murmurava Rodolpho! Seria bom irem com esta algumas lágrimas; mas, não sou eu que possa agora chorar: a culpa não é minha. E então, deitando água num copo e metendo nela o dedo, fez pingar sobre o papel uma gota d’água que caindo na tinta, produziu uma nódoa”. (G. Flaubert. Madame Bovary).
E enfim, tenhamos sempre presente que estes desvarios não são simplesmente um drama, entre dois, mas de três personagens.
O terceiro, o filho, que será dele?
Ou muito simplesmente procuram desfazer-se do serzinho molesto, e neste caso, o amor terá começado, por um beijo para terminar por um crime nefando.
Ou então permitem-no viver, mas o pobre inocente, será sempre desconsiderado, levando ligado ao nome o epíteto de ilegítimo e de bastardo.
Por vezes, deixam-no ao abandono atirado aos vaivéns da vida. Ora há de ser terrível e insuportável à consciência, por mais embotada que esteja, pensar que, atirado ao léu, vive um filho sem pai, um filho, vosso filho abandonado, a amaldiçoar os autores de seus dias!
É este pungente remorso que F. Coppée descreve em seu livro, Le Coupable: “Contudo este pensamento o assaltava… ter sido ele… o homem, que abandonara uma pobre moça e que deixara o próprio filho à mercê das aventuras da miséria”.
Oh! tristes e lamentáveis amores, que se não baseiam nos delicados sentimentos da alma, mas totalmente no egoísmo.
“Um egoísmo mal disfarçado! não um egoísmo a dois. Acharam este modo de dizer para esquivar a cruel e humilhante verdade; não passa, porém, de um puro egoísmo; quero dizer, um egoísmo completamente impuro.
Quando Deus não é o amigo comum a quem cada um mais ama; o que então, cada um dos dois mais ama, é a si mesmo!
E tudo isso é miserável, mesquinho, caduco, quase já cadáver. Tudo isso cheira miséria humana. Tudo isto afasta-se de Deus, e afasta Deus”. (L. Veuillot. Çá et lá).
Este egoísmo feroz, esta dureza de coração contraídos no amor carnal, acham-se cinicamente expostos no Aziadé, onde P. Loti se não envergonha de reproduzir as suas cartas ao tenente de marinha Plumkett: “Direis, ser necessário, para chegar até lá, um terrível fundo de egoísmo? Não o nego; mas afinal, cheguei a convencer-me que tudo quanto me pode causar prazer, é bom fazer-se, e que é necessário sempre apimentar, o melhor possível, o insosso guizado da vida (pg. 15). Estas belas amizades para toda a vida até a morte, ninguém melhor que eu lhes saboreou os encantos; mas, bem vedes, são para os dezoito anos; aos vinte e cinco, porém, já não existem e então só sentimos dedicação para nós mesmos! É desolador, o que vos estou dizendo, mas é terrivelmente verdadeiro (pg. 24). Crede-me: o tempo e a devassidão são dois grandes remédios. Não existe Deus, não existe moral, não existe nada que nos ensinaram a respeitar. Há uma vida que passa, a qual, logicamente, se há de pedir a maior soma possível de prazeres, esperando o seu terrível desenlace, a morte. Vou abrir-vos o meu coração, fazer-vos a minha profissão de fé: tenho como norma de minhas ações, fazer sempre o que me agrada, não obstante qualquer moralidade ou convenção social. Não creio em nada, nem em ninguém, não amo ninguém, nem coisa alguma”. (pg. 56).
Quando o simum devasta alguma região, deixa tudo ressequido, queimado.
Quando a paixão devasta um coração, tudo nele fica ressequido, queimado.
Por onde passar o casco do meu cavalo, dizia o feroz Átila, a erva não crescerá jamais.
Por onde passar a égua relinchona da luxúria, calcando tudo com seu duro casco, não mais crescerá a delicada flor de ternas afeições!…

* * *
Receio abusar das citações. Nada há, porém, que possa substituir a eloquência das confissões feitas pelos profissionais da libertinagem. Levai-me pois, a bem, que apresente aos vossos olhares uma última passagem, que admiravelmente resume tudo quanto dissemos neste capítulo da Derrota, e que é muito mais significativa, porque é tirada de um autor chamado Sainte-Beuve! Dum livro chamado Voluptuosidade! O volume tem 400 páginas, mas podemos resumi-lo nestes poucos excertos. “Compreendi profundamente esta palavra dos livros santos: “Ne dederis mulieribus substantiam tuam”: “não atireis às mulheres os vossos frutos e as vossas flores, a vossa virtude e o vosso gênio, a vossa fé e a vossa vontade: o mais precioso da vossa substância”. (pg. 129).
“Reconheci que a volúpia é a transição, a iniciação para outras paixões baixas. Foi ela que me atirou à embriaguez, à glutoneria, porque em noites de desvarios, esfalfado e não saciado, eu, de ordinário sóbrio, penetrava em cafés e pedia algum licor forte, que bebia com sofreguidão”. (pg. 128).
Ai! dir-se-ia que todas as velhacarias vegetam e proliferam, como cogumelos, nestas esterqueiras do vício. Nos terrenos pantanosos da impureza, não vegeta senão a flora pestilencial dos sentimentos imundos.
“Quando as almas delicadas se deixam resvalar para o prazer, para um prazer donde voltam enojadas e desbotadas, ficam profundamente calejadas.
Hão de precatar-se grandemente para não se tornarem insensíveis e cruéis”. (pg. 278).
Causa-nos espanto verificar “os excessos de um ser fraco e os de todos os que transtornam bruscamente a natureza”. (pg. 278).
Mil vezes feliz o moço que sabe impor-se “esses anos castos que são sérias economias poupadas à corrupção da vida”. (pg. 8).
“No libertino há os exteriores de compaixão, umas aparências de lágrimas. Seus olhos banham-se facilmente antes do prazer, cintilam, julgar-se-ia então que vai amar tudo. Mas atentai nele logo que saciou o seu desejo: como se fecha consigo, como se torna tristonho! Enquanto que o homem casto é de uma alegria pura e inocente, o voluptuoso concentra-se em si, ao ver-se bem-sucedido, torna-se arisco, mal assombrado, arredio”. (pg. 286).
“Malbaratou, para o conseguimento de um prazer, o que deveria repartir com os outros; esbanjou de uma só vez, e para um mau fim, seu tesouro de puras alegrias”. (pg. 289).
Os transeuntes, confessa ele, teriam podido observar-me, “à noite com a cabeça baixa, arrastando meus passos, com a alma tão abatida e aniquilada como Xerxes ao passar o Helesponto”. (pg. 287).
“Quem poderia calcular, nas grandes cidades, à tarde e nas horas caladas da noite, quantas energias, verdadeiros tesouros de gênio, de belas e de benéficas obras, lágrimas de ternura, e fecundos ideais se inutilizarem, periodicamente, abortados antes de nascer!
Aquele, nascido talvez para as honras de um monumento de glória, arruinará, no prazer, seu belo e genial fado.
Aqueloutro, em quem belíssima criação do espírito, se desabrocharia sob a guarda de uma severa continência, perderá a ocasião, a passagem do astro, o momento propício da luz, que não mais voltará.
Outro ainda, por natureza, inclinada ao bem, à esmola e a uma encantadora ternura, tornar-se-á covarde, estéril e até cruel.
Um coração que teria amado muito, malbaratará, em caminho, o seu grande dom de sensibilidade. O homem vê-se esfacelado aos vinte anos!” (pg. 133).
O pecado da impureza “corrompe o homem, empobrece-o e vai feri-lo nas suas fontes genuínas e superiores… Estes fatais gozos atacam o centro da vontade”. (pgs. 133 e 248).
“A voluptuosidade foi para vós, na alvorada da vida, um dourado anelo, uma flor orvalhada, um saborosíssimo caxo de uvas, termo ambicionado de vossos desejos. Vossa mocidade colheu este fruto e não sentiu satisfação neste fruto exótico. Conheceis já, prematuramente, o que ela vale e o que, cada vez, vos reserva: amargos desgostos e cruéis remorsos.
Ela apoderou-se de vossa carne. E este foi o vosso grande mal. Dai-vos pressa em vos desembaraçardes dela, meu amigo. É forçoso e podeis fazê-lo, se quiserdes.
Convencei-vos por uma vez e admirareis como é possível a cura. Eu não fui sempre qual agora me vedes… Não vos arreceeis! Sou eu, doente um pouco curado, quem vos fala, a vós doente que desesperais da cura”. (pg. 133 e seg.).
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sexta-feira, 29 de abril de 2016

CONCLUSÃO

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CONCLUSÃO 

Chegado ao termo desta obrazinha, ouso esperar, ó caros jovens, que vos não tenho sido de todo pesado ou enfadonho, e que conseguindo o seu escopo haja ajudado a fazer crescer em vós o amor para com os santos Anjos da guarda.
Prossegui, pois, a cultivar esta devoção, que a par de suave, justa, vantajosa, e também (conforme de início já indiquei) de modo especial adaptado aos tempos em que vivemos.
Caráter próprio do nosso século é a absorção do homem pela matéria, a ponto de só se ter em conta o que cai sob os sentidos e os pode lisonjear… Que pode haver de mais apta a sanar esta chaga que uma devoção que tem por objeto seres de todo independentes e desprendidos de tudo o que é material e terreno, e que levanta os ânimos a aspirar as coisas do céu?
Foi bem sob a influência dessa suave e celestial devoção que o grande homem que foi Sílvio Péllico, após se haver transviado, voltou ao caminho do céu… Em sinal de reconhecimento ao seu Anjo da Guarda, que o havia reconduzido ao bom caminho, compôs um poemeto intitulado “Os Anjos”, que sentimos não poder reproduzir aqui, e que é um testemunho, do mais alto valor, de quanto seja profícua a devoção dos santos Anjos.
Praza a Deus possas também tu, leitor que me lês, seres por mãos dos Anjos reconduzido, se acaso te transviastes, ou, na melhor das hipóteses, ajudado eficazmente a trilhar inflexivelmente o caminho do céu.
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quinta-feira, 28 de abril de 2016

12 — Hino em honra dos santos Anjos da Guarda

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12 — Hino em honra dos santos Anjos da Guarda 

Custodes hominum psallimus Angelos,
Naturae fragili quos Pater addidit
Caelestis comites, insidiantibus
Ne sucumberet hostibus.

Nam quod corruerit proditor angelus,
Concessis merito pulsus honoribus,
Ardens invidia pellere nititur
Quos caelo Deus advocat.

Huc custos igitur pervigil advola
Avertens patria de tibi credita
Tam morbos animi, quam requiescere
Quidquid non sinit incolas.

Sanctae sit Triadi laus pia iugiter,
Cuius perpetuo numine machina
Triplex haec regitur, cujus in omnia
Regnat gloria saecula. Amen.

Antiph. — Sancti Angeli, custodes nostri, defendite nos in praelio, ut non pereamus in tremendo iudicio.
V. Angelis suis Deus mandavit de te.
R. Ut custodiant te in omnibus viis tuis.

Oremus.
Deus qui ineffabili providentia sanctos Angelos tuos ad nostram custodiam mittere digneris, largire supplicibus tuis et eorum sempre protectione defendi et aeterna societate gaudere. Amen.
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

9 — Jaculatória em honra de S. Miguel Arcanjo /10 — Oração em honra de S. Miguel Arcanjo composta por S.S. o Papa Leão XIII, e por sua ordem recitada depois da Missa/ 11 — Hino enriquecido de indulgência, em honra de S. Miguel Arcanjo

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9 — Jaculatória em honra de S. Miguel Arcanjo


Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio, ut non pereamus in tremendo judicio.[1]

10 — Oração em honra de S. Miguel Arcanjo composta por S.S. o Papa Leão XIII, e por sua ordem recitada depois da Missa


Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio: contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. — Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps Militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude.

11 — Hino enriquecido de indulgência,
em honra de S. Miguel Arcanjo
[2]


Te splendor et virtus Patris,
Te vita Jesu cordium,
Ab ore qui pendent tuo
Laudamus inter Angelos.

Tibi mille densa millium
Ducum corona militat:
Sed explicat victor Crucem
Michael Salutis signifer.

Draconis hic dirum caput
In ima pellit tartara
Ducemque cum rebellibus
Caelesti ab arce fulminat.

Contra ducem superbiae
Sequamur hunc nos Principem,
Ut detur ex Agni throno
Nobis corona gloriae.

Patri simulque Filio,
Tibi sancte Spiritus,
Sicut fuit, sit iugiter
Saeclum per omne gloria. Amen.

Antiph. — Princeps gloriosissime Michael Archangele, esto memor nostri, hic et ubique semper deprecare pro nobis Filium Dei.
V. In conspectu Angelorum psallam tibi, Deus meus.
R. Adorabo ad templum sanctum tuum et confitebor nomini tuo.

Oremus.
Deus qui miro ordine Angelorum ministeria hominumque dispensas concede propitius, ut a quibus tibi ministrantibus in caelo semper assistitur, ab his in terra vita nostra muniatur. Per Christum Dominum Nostrum. Amen.


[1]     Indulgência de 100 dias. Rac. p. 383.
[2]     Pio VII, com rescrito da Congregação das Indulgências, 6 de maio de 1817, concedeu 200 dias de indulgência uma vez ao dia a todos os fiéis que com o coração ao menos contrito recitarem devotamente o hino Te splendor com a antífona e a oração em honra de S. Miguel Arcanjo; e àqueles que todo dia, por todo um mês, o tiverem recitado, concedeu indulgência plenária, em um dia à escolha, contanto que nesse dia, tendo confessado e comungado, rezem pelas intenções do Sumo Pontífice. Rac. p. 373.
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terça-feira, 26 de abril de 2016

6 — Oração de S. Pedro Canísio / 7 — Oração de S. João Berchmans/ 8 — Súplicas ao Santo Anjo da Guarda

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6 — Oração de S. Pedro Canísio


À vossa tutela me recomendo, ó santo Anjo, pois à vossa guarda me confiou a divina bondade. Sou cego, guiai-me; sou ignorante, instruí-me; sou fraco, confortai-me; sou pequenino, protegei-me; sou um caminhante extraviado, reconduzi-me à estrada real; sou preguiçoso, excitai-me; sou tardo, estimulai-me a progredir no bem. E sobretudo fazei que aquela extrema e perigosa luta, que eu terei que sustentar com os demônios em minha morte, tenha termo feliz, para que, passando a ser companheiro vosso no céu, possa cantar alegremente o hino da vitória: “laqueus contritus est, et nos liberati sumus: rompeu-se-nos o laço e livres dali nos fomos.”[1]

7 — Oração de S. João Berchmans


Anjo santo, amado de Deus, que por divina disposição tendo-me tomado sob a vossa bem-aventurada guarda desde o primeiro instante da minha vida, jamais cessais de defender-me, de iluminar-me, de reger-me; venero-vos como padroeiro, amo-vos como guarda, submeto-me à vossa direção, e todo me dou a vós para ser por vós governado. Peço-vos portanto e vos suplico pelo amor de Jesus Cristo, que por mais que eu tenha sido ingrato para convosco e surdo a vossos avisos, não me queirais por isso abandonar; mas que vos digneis reconduzir-me ao reto caminho, quando transviado, ensinar-me na ignorância, levantar-me quando caído, consolar-me quando aflito, sustentar-me no perigo, até que me introduzais no céu a gozar convosco uma eterna felicidade. Assim seja.[2]

8 — Súplicas ao Santo Anjo da Guarda


I — Ó meu bom Anjo da Guarda, ajudai-me a agradecer ao Altíssimo, por se ter dignado de vos destinar à minha guarda. “Anjo de Deus…”
II — Ó príncipe celeste, dignai-vos impetrar-me o perdão de todos os desgostos, que dei a vós e a Deus, desprezando as vossas ameaças e os vossos conselhos. “Anjo de Deus…”
III — Ó amável protetor meu, imprimi em minha alma um profundo respeito por vós, de modo que jamais tenha o atrevimento de fazer coisa que vos desagrade. “Anjo de Deus…”
IV — Ó piedoso médico de minh’alma, ensinai-me os remédios e dai-me ajuda para curar-me dos meus maus hábitos e de tantas misérias que me oprimem a alma. “Anjo de Deus…”
V — Ó Guia fiel, impetrai-me força para superar todos os obstáculos que se encontram no caminho da virtude, e para sofrer com verdadeira paciência as tribulações desta miserável vida. “Anjo de Deus…”
VI — Ó eficaz intercessor meu diante de Deus, obtendo-me a graça de obedecer prontamente às vossas santas inspirações, de conformar a minha vontade em tudo e para sempre à santíssima vontade de Deus. “Anjo de Deus…”
VII — Ó puríssimo espírito todo aceso em chamas de amor de Deus, impetrai-me este fogo divino, e juntamente uma verdadeira devoção à vossa augusta Rainha e minha boa Mãe, Maria. “Anjo de Deus…”
VIII — Ó invencível protetor meu, assisti-me para corresponder dignamente ao vosso amor e aos vossos benefícios, e para empenhar-me com todas as minhas forças a promover o vosso culto. “Anjo de Deus…”
IX — Ó bem-aventurado Ministro do Altíssimo, obtende-me de sua infinita misericórdia, que eu chegue a preencher um dos lugares deixados vazios no céu pelos Anjos rebeldes. “Anjo de Deus…”


[1]     Apud P. De la Cerda, de excell. cael. Spirituum, in primis de Angeli Custodis ministerio, cap. ult. orat. 5.
[2]     Cepari, Vida de S. J. Berchmans, p. V. O p. Pasquale de Mattei no seu belo livrinho sobre a devoção dos S. S. Anjos da Guarda também traz esta oração.
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O vício é triste…

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A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


O vício é triste…

e por sua natureza.
Eis a razão:
“O homem vicioso pede ao prazer que sacie, não simplesmente a limitada necessidade dos órgãos, como o animal, mas o anelo infinito do coração…
Se dá tudo, é para tudo receber; e assim, quanto mais o homem se entrega à paixão tanto mais exige que cresça a ração de prazer, e que cresça ao infinito!…
Mas à medida que a paixão se exalta, também a ração de gozo, é fatalmente, cada vez mais fraca… Porque se o desejo cava, cada vez mais, o abismo insondável do nosso coração, os órgãos, pelo contrário, sendo materiais, ficam sujeitos como toda a matéria, a um limite e a deterioração. Gastam-se: a sua atividade afrouxa-se sobretudo quando o vício os sobrecarrega e os desequilibra. E assim, pouco a pouco, se vai extinguindo o prazer.
Vem, pois o vicioso a cair no seu próprio laço.
Sua fome vai crescendo, à proporção que a sua presa vai diminuindo, e, fatalmente, se vão distanciando, sempre mais, a realidade e os anelos dela.
Ora esta distância, experimentalmente conhecida, a consciência do afastamento entre a realidade e esses desejos irrealizáveis, eis, para o homem, a medida do seu sofrer”. (Pe. A. Eymieu. Païens).
A culpa carnal não é a felicidade mas uma ilusão, muito passageira, da felicidade.
O gozo inebriante é tão rápido que o prazer é menor, no lampejo da satisfação despertada por esta “epilepsia brevis”, que nos antecedentes da culpa.
Depois, imediatamente depois, sobrevém o aborrecimento acabrunhador e o pecado que, nas suas consequências, é essencialmente enfadonho e monótono!
É uma degeneração de tal modo evidente, que ninguém se pode iludir a si mesmo.
É o desprezo de si mesmo,[1] tão pronunciado, que se sente a necessidade de exclamar como o capitão Saint-Avit, na Atlântida, ao ceder à paixão por Antinéa: “Não passo de um vil”.
É enfim o remorso. “Mas então, é só isto? E cai de novo!… Acabou-se!… Que minúscula felicidade… e que me resta agora? Uma depressão física e moral e, quiçá, um hebetismo sensual. Negócio de lorpa, cem vezes recomeçado! Sinto-me lasso, enlameado. Tenho aborrecimento aos outros porque o tenho a mim mesmo. Tudo vem acabar em amargor”.
O pecado deve gerar a tristeza, porquanto, como diz Santo Tomás de Aquino, “um ser consciente, colocado fora da ordem, há de fatalmente sofrer”.
O vicioso é um irregular que conscientemente se colocou em antagonismo com o dever. É um excêntrico, um desnorteado!
Meu amigo, proponho-te esta questão a que responderás com toda a lealdade da tua alma: trouxe-te o pecado impuro a felicidade? Pode ser que o tenhas praticado durante semanas e meses. Neste caso, conheces experimentalmente e muito concretamente o que ele é em si. E depois disto, te achaste mais contente de ti ou provaste aquela náusea íntima, aquele fastio enjoativo proveniente da dupla saciedade, tanto física como psíquica?[2]
Imensa avidez, seguida de um imenso enjoo!
Eterno atrativo, eterna desilusão!
Após o pecado, só restam amarguras: e por centenas são as autoridades com que isto se poderia provar.
“A tristeza anda associada ao prazer, assim como a água doce com a salgada, à embocadura de todos os rios”. (Gabriel d’Annunzio).
“Amar com um amor, em que só dominam os sentidos, é sempre, sempre e sempre sofrer de insaciabilidade”. (P. Bourget. Phys. de l’amour).
O mesmo autor faz dizer ao herói do Discípulo: “Logo após a culpa, senti a prostração da minha alma exaltada e frenética. Experimentei a secura absoluta da minha ternura e a rápida volta ao estado anterior d’alma”.
Que resta então de tudo isto? “Desgostos… e remorsos”. (P. Bourget. Nemesis).
Daniel Rovére, ao depois do seu pecado, se “teria vomitado a si mesmo, de nojo”. (Em. Baumann. L’Immolé).
A volúpia culpável não é o belo ouro sólido e fino da felicidade, mas uma liga ou só pobre palheta d’ouro, que é necessário comprá-la, por caro preço.
A cortesã Thaïs bem reconhece-o! “Não encontrei a felicidade embora me sinta inteiramente exausta”. (A. France. Thaïs).
Outra heroína do mesmo quilate, nos Contos em prosa de Fr. Coppée, confessa: “Não tinha ainda vinte sete anos, mas se soubesses como o meu coração se tinha envelhecido!”
P. Loti narrando a vida desregrada que leva em Istambul, acrescenta:
“Provei mais ou menos de todos os prazeres. Sinto-me mui envelhecido não obstante esta minha juventude física”. (P. Loti. Aziadé).
Quantos, ainda jovens, vivem encarquilhados e já parecem-se com “velhos arruinados”!
É fácil de se adivinhar o porquê!
Quando nos lembramos de tantos textos significativos acerca das supostas felicidades do vício, compreendemos a saída original de Lord Palmerston: “A vida seria suportável, se não fossem os prazeres”.
Mais nos entregamos aos prazeres, mais nos enojamos deles.

* * *
Encaremos o problema mais de perto: todos nós, sem exceção, andamos em busca da mesma coisa; tanto o santo como o pecador, embora por caminhos diversos, buscam um fim idêntico: a felicidade…
Quem a encontra?
A virtude é recompensada, tanto na outra vida, o que é evidente, como cá nesta terra, em que ela nos depara aquela paz, que o mundo não nos pode dar nem roubar.
A santa alegria, é irmã da santa inocência.
A culpa é punida tanto na outra vida, o que é evidente, como cá nesta terra. O pecado deixa em nossa boca o ressaibo de fel do remorso.
Aqueles que consigo lutam, são os mais atilados e os mais seguros de encontrarem a paz.
Jesus Cristo o predisse: aquele que, por uma prudência mal compreendida, quer salvaguardar o próprio interesse, vem a perdê-lo; aquele que o perde é, na realidade quem o ganha.
É o jogo divino do “quem perde ganha”. E Mons. Baunard tem razão quando diz: “Só se guarda o que se deu”, o que a Deus se deu, com generosidade.
Depois de uma vitória alcançada sobre si mesmo, nossa alma sente-se à vontade.
O concerto da alegria, soa no coração que se vai dilatando.
Depois de uma orgia, sente-se a boca amarga e a cruel mágoa daqueles prazeres violentos, donde se saiu como derreado.
Se a virtude parece dificultosa, é sobretudo ao princípio.
Triste entrada, festiva saída.
Para o vício, pelo contrário, belas entradas de leão e saídas de sendeiro.
A entrada dele na alma é pela porta do gozo, e a saída é pela da tristeza.
As rosas do vício muito mal ocultam a morte.
Parecido com isto era, em Roma, o “suplício de flores”.
Convidavam-se para um banquete aqueles que, ignorando, estavam destinados à morte.
O banquete era lauto e suntuoso.
A um dado momento, entreabria-se, no teto, um grande véu de púrpura e deixava-se cair uma chuva, uma branda camada cheirosa e poética de rosas e de verbenas.
No começo reinava, entre os convivas, admiração e todos celebravam o esplendor da festa.
Mas como a chuva continuasse a cair impertinente e ininterrupta, uma sombra de tristeza começava então a aparecer em todas as frontes. Eram realmente demasiados essas flores e perfumes.
E por fim vinham a expirar, asfixiados com tantos perfumes, tendo por lençol mortuário, uma camada de verbenas e de rosas.
O mesmo se dá com o vício impuro.
Convida-nos o vício a tomar parte num esplêndido banquete, onde todos podem beber na taça do prazer, um vinho inebriante, e devorar frutos vedados e por isso mesmo, mais tentadores.
Também eles nos oferecem perfumes e flores.
E, como para os convivas de Roma, tudo são, ao princípio, encantos.
Bem depressa reconhecem, porém, com sobressalto, que aquelas paixões tão suaves e tão atraentes, dão de fato, causa a um tremendo desfalecimento.
E por fim chega a morte.
E de tudo, só resta n’alma um incurável sentimento das coisas que já passaram ao nada e das culpas que se praticaram.
Não se deu somente em Roma este “suplício de flores”!…
Renova-se cada dia, e tantas vezes quantas um jovem cede aos instintos do prazer proibido.[3]

* * *
Nunca digas: será verdade que o prazer tem como remate a melancolia? Se eu me arriscasse a experimentá-lo?
Esta experiência já foi feita, há mais de dois mil anos.
O Eclesiastes fê-la! E o grande desiludido, no-la expõe no seu poema de eterno enfado:
“Disse ao meu coração: Vamos
Saboreia o prazer!
Mas tudo isto, não é mais do que vaidade!…
Fiz vir cantores e cantoras,
Gozei as delícias dos filhos dos homens.
E mulheres sem número…
De tudo quanto meus olhos apeteceram
Coisa alguma lhe neguei,
Não recusei ao meu coração nenhum prazer…
E vi que tudo era vaidade e aflição de espírito.
E nada há de permanente sob o sol”.
(Ecles. 2-1 e seg.).
“Os olhos não se saciaram com o que viram.
Nem os ouvidos com o que ouviram”.
(Idem, 1-7).
Também Santo Agostinho fizera, durante dezessete anos, a experiência dos prazeres proibidos. E o resultado vem exposto no seu livro, As confissões.
“Vós, Senhor, bem sabeis o que eu sofria! “Sciebas quid patiebar”.
Sentia-me roído. “Rodebar”.
Como era infeliz! “Quam miser eram!”
O hábito de querer saciar a insaciável concupiscência, me cruciava.
“Me excruciabat”.
Que tormentos os meus… e que gemidos! “Quæ tormenta… qui gemitus!”
Semelhante vida, podia ainda ter o nome de vida? “Talis vita, numquid vita erat?”
Do meu coração apossara-se uma imensa tristeza. “Maestitudo ingens”.
Senhor, fizestes o nosso coração para vós e ele estará sempre inquieto enquanto não repousar em vós! “Et irrequietum est cor nostrum, donec requiescat in Te”.
É muito exato. Assim como a agulha de uma bússola se move irrequieta e estonteada enquanto não se orienta para o polo, assim o nosso coração vive estonteado até se fixar definitivamente, no rumo do polo divino.
Agostinho ouvira a voz que lhe dizia: toma, lê.
Tomou o livro e leu esta passagem de S. Paulo: “Sigamos pelo caminho da honestidade, como em pleno dia, não nos entregando às orgias, à embriaguez, à luxúria e à impudicícia… mas revesti-vos de Jesus Cristo Nosso Senhor e não regaleis a vossa carne de modo a excitar, em vós, as concupiscências”. (Rom. 13-13).


[1]             Somente existe um ser,
Que eu posso bem e sempre conhecer;
Como eu, dele ninguém juízo deu,
Desprezo esse ser baixo e vil: Sou eu.
(A Musset: Votos estéreis)
No gozo do prazer a que recorro
Sinto tal nojo que quase morro.
             (Id. Esperança em Deus)
Quanto me enojo de mim mesmo.
(P. Bourget. O tribuno)
[2]             Então é que se devem tomar resoluções para o futuro; nesse momento é que se julga bem e não quando se está influenciado pelo apetite desregrado. Aqui tem aplicação o princípio, que Santo Inácio dá, falando da temperança: É necessário prever a maneira como se há de haver “no momento em que o apetite não se faz sentir… para que se possa prevenir qualquer desregramento”.
[3]             “Cada qual é tentado pela própria concupiscência… Em seguida a concupiscência, logo que concebeu, gera o pecado, e o pecado, apenas consumado gera a morte”. (S. Tiago, 1-14).
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